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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Um retrato da minha época: lembranças para daqui a 500 anos


Artigo da aluna Elisângela Tavares

O retrato da minha época é uma obra prima da desigualdade, alienação e escravidão. Se há 400 anos antes dos anos em que vivo os escravos tentavam fugir das senzalas, hoje, na minha época, os escravos não tentam mais a fuga, aliás, até defendem com unhas e dentes a suas celas. Os senhores feudais hoje são os bancos, os grandes empresários, as multinacionais, o governo, o sistema... Pagamos a juros gigantescos aos bancos por nossas celas e escravidão. E quanto mais afundamos no consumismo e nos arruinamos em dívidas parceladas até o final de nossas vidas, mais os bancos lucram com nossa desgraça à prazo. Na minha época se paga caríssimo para viver e para morrer. Somos ensinados desde criança que o consumismo desenfreado é a única opção para viver nossas vidas e então, nos matamos de tanto trabalhar para consumir e produzir, esquecendo-nos de nossa real vida e liberdade.

Nossos dias, nossas semanas, nossos anos são baseados em trabalho e nosso pensamento é voltado para o consumismo e para a alienação. Não temos tempo para nossos companheiros, amigos e nem para nossos filhos. Estes são monitorados por Tv's e jogos de computadores porque os pais lhes negam, em nome do trabalho, um momento em família. Não pensamos por nós mesmos, pois somos subordinados desde a mais tenra infância à alienação de seguir os padrões de uma sociedade capitalista em crise de declínio. Padrões estes que são impostos à todos e, quem não segui-los é recriminado e isolado. Trabalhamos em fábricas por uma ninharia para comprar o celular de última geração que nós mesmos produzidos e que custa 30 vezes mais o nosso trabalho de produção. Trabalhamos em multinacionais por uma pechincha para produzir um carro que talvez nunca iremos possuir na vida.

Vendemos nossas meninas para a indústria da moda e do entretenimento, pois é preciso que elas sejam prostituídas e violadas com padrões de beleza ridículos e que sejam objetos sexuais para que marmanjos exercitem suas cabeças de baixo. Na minha época mais de 500 mil crianças no mundo ainda ganham a vida na profissão mais antiga da humanidade: a prostituição. Nossos jovens não sabem construir pensamentos e conhecimentos, somente sabem repetir o que lhes foi repassado pelo sistema, pelo governo e pela mídia manipuladora para que assim, nunca questionem os atos dos governantes e da classe dominante. Eles nem questionam o porquê de mais de 41% da riqueza do mundo estar nas mãos de apenas 0,7% da população mundial, pois estão mais preocupados em dançar coreografias baseadas no Kama Sutra.

A sociedade da minha época é dominada por psicopatas que não se comovem em ver que mais de 800 milhões de pessoas passam fome e que 25 mil pessoas morrem diariamente vítimas de desnutrição. Mesmo assim, se perdem todos os anos cerca de 1, 3 bilhão de toneladas de comida, o que equivale a mais de US$750 bilhões. Os psicopatas somente se importam com os lucros e quanto mais pessoas abaixo do nível da pobreza morrerem, melhor para eles, pois não é interessante ter em um sistema pessoas que não possuem recursos para gastarem com o consumo. É preciso aniquilar quem não tem perfil para fazer parte do sistema e isso inclui os poucos que resistem à alienação e que ainda possuem o domínio do próprio pensamento. O revolucionário hoje muitas vezes é ridicularizado e até mesmo taxado de bandido, mesmo dentro de toda a legalidade que prega as leis escritas. Eles são vítimas das leis morais...

Somos proibidos de pensar socialmente, porque estamos sujeitos à uma educação que não nos ensina a questionar a nossa realidade, pois é proibido lutar pelos direitos adquiridos nas antigas revoluções. Aqui, na minha época, as leis são para os benefícios dos ricos. Os códigos jurídicos são distantes da realidade social do povo e quem não possui condições de pagar pelo exercício jurídico de um advogado é esquecido dentro de celas que são verdadeiras escolas de criminalidade. E por falar em criminalidade, aqui, em minha época, quanto maior é a desigualdade social, maior é a criminalidade. As pessoas acham que enjaular as outras tidas como criminosas irá aumentar a segurança na sociedade. Ledo engano, pois um dia, os enjaulados sairão de suas celas com curso superior em crimes. Aqui, os cidadãos "de bem" preferem ter uma solução à curto prazo, mesmo que essa aparente solução traga resultados drásticos no futuro. Esquecem que a solução não é a construção de mais presídios, mas sim, a construção de escolas que disseminem uma educação libertadora.

Na minha época estamos caminhando para o caos, onde viver em um medo líquido e alienação constante fazem parte da realidade de todos da sociedade. Em 2013 a escravidão não acabou, ela apenas se modernizou, ganhando laços tecnológicos rebuscados de uma falsa ilusão de liberdade. Aqui, somos apenas mais um número de controle, uma ficha de curriculum, um corpo frio engavetado no necrotério esperando para ser enterrado no cemitério, uma mente que nunca ousará pensar em se libertar da escravidão do sistema... Este é o retrato da minha época!

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